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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Arte e Educação Popular nas ruas da SER VI

Neste último sábado, dia 20/10, o Projeto Cirandas da Vida, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizou com grande sucesso a IV edição do Escambo de Arte e Saúde e o Cortejo das Artes, que vem percorrendo nos últimos dois meses as várias regionais de Fortaleza.

O nosso palco desta vez foi o Conjunto Palmeiras, na SER VI, e o primeiro cenário do dia foi o Centro de Cidadania Evandro Ayres de Moura. Pela manhã as diversas entidades que compõe a Rede de Arte e Cultura, tanto do Conjunto Palmeiras quanto de outras áreas, ajudaram a ministrar e participaram também como aprendizes das oficinas de percussão, teatro, arte circense, dança de rua, Hip Hop e Contação de Estórias.

A proposta metodológica que orienta o Escambo de Arte e Saúde, inovadora e libertária em sua concepção desde os primórdios no Bom Jardim, tem como objetivo possibilitar uma intensa troca de experiências artísticas entre os grupos e movimentos culturais de vários bairros da cidade.

Durante a tarde, passamos ao segundo cenário, as ruas da comunidade, onde os participantes das oficinas e vivências que animaram o momento anterior, puderam mostrar para população o resultado de todo aquele intercâmbio de idéias: O Cortejo das Artes.

Em seu percurso, o cortejo relembrou duas grandes lutas dos moradores do Conjunto Palmeiras parando no Canal do Palmeiras, obra de saneamento básico conquistada com muita luta da gente nativa, e em frente ao Banco Palmas (iniciativa pioneira do movimento popular que usa sua própria moeda de troca como forma de valorizar o comércio e a produção locais), onde aconteceu o encerramento com a realização de uma feira de socioeconomia solidária.

A nossa próxima parada é a SER III, podem esperar que a gente está chegando minha gente!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Encontro "Olhares Sobre o Mangue" na SER I

O Projeto Cirandas da Vida convida a todos os lutadores e lutadoras da causa social e aos representantes dos diversos setores da gestão envolvidos a participar do encontro temático "Olhares Sobre o Mangue”, que acontecerá no próximo dia 28 de setembro de 2007, das 8h30 às 17h no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora da Assunção, situada à Av. C/N° 960- Vila Velha.

Ao longo dos últimos dois anos, as Cirandas e outros parceiros vem construindo com a população do bairro Vila Velha, mais específicamente a comunidade do mangue, uma reflexão acerca dos diversos olhares sobre a temática ambiental. Nesse sentido realizou a Oficina: “Olhares sobre o Mangue” envolvendo técnicos da SEMAN, os distritos de meio ambiente, saúde e educação da SER I, índios Tapeba e moradores do mangue, na perspectiva da construir um olhar ampliado sobre a questão.

O atual encontro propõe-se a discutir a partir da metodologia dos círculos de cultura, as situações-limite relativas à questão ambiental em suas interfaces com a saúde, moradia, sustentabilidade econômica solidária e a arte, bem como discutir estratégias coletivas de construção de atos-limite que apontem para a possibilidade de sobrevivência desse ecossistema e da inclusão das populações humanas que hoje o ocupam como guardiãs e cuidadores deste patrimônio.

Desde já contamos com a presença de todos os profissionais da área, gestão e comunidade.

Vemos você lá!!!

"Gira tua roda Ciranda
Agita essa roda Ciranda
Gira sem medo Ciranda
Cirandas da vida estão sempre a girar"
Ray Lima.

-Cirandas da Vida realiza Escambo de Arte e Saúde na SER I

Abram alas, abram alas! As Cirandas da Vida colocam em cena mais um Escambo de Arte e Saúde que vai desenhando a Rede de Arte, Cultura e Saúde de Fortaleza. Estamos no 3º e o cenário é o Pirambu.


Na Escola Estadual Moema Távora, o cirandeiro Jonhson Soares e o grupo Raízes Sertanejas prepararam cuidadosamente o espaço de acolhida. Roupas das quadrilhas dançadas pelo Raízes que falam de temáticas locais: a luta de seu povo pra se manter naquele lugar onde a especulação imobiliária teima em chegar, mas o povo resiste, luta contra a avenida Leste-Oeste e outros empreendimentos que insistem em afastar da praia esse povo corajoso.


Chegou o grupo de capoeira Angola, sob os cuidados do mestre Armando e foi preparando o ritual. E os grupos vão chegando, de mansinho, preparando o cenário para a ciranda girar. Grupo Redenção da Associação Chico da Silva (Chico da Silva foi um grande pintor de Fortaleza, nascido, criado e vivido ali no Pirambu).


Depois veio o Vidança com a força do batuque, a graça das meninas com suas roupas de fuxico que elas próprias confeccionaram, os cirandeiros e cirandeiras. Chegam os que vieram da SER II, III V e VI. Do Bom Jardim , Siqueira, Granja Portugal vieram: Semearte, Tambores do Movimento, Geração Cidadã, Consciência Break, Grupo de Capoeira do MSMCBJ. Da SER VI vieram : Grupo Bate Palmas(Dança de Rua) educadores do CRAS, Meninos Capazes com sua arte circense, capoeira da Assoc Santo Dias. Da SER III: Escuta e Afro Berê. Da SER II : Hip hop e a festa foi ficando cada vez mais animada.


O Raizes Sertanejas, na voz de Carlos Careca, reconstituiu a história do Pirambu:

Vem cá
Vem cá
Vem cá oh menina

Vem cá dançar São João

Não molhe os pés na água

Nem despregue do chão

Maracangalha Maria Moça dançava

Lá no Rabo do Jumento no Gozo SiriCão Praias do Pirambu
Progresso quer matar
Arpoador
Cacimba
Me faltou rimas pra te exaltar.
Nos emocionamos ao ouvir os nomes de tantos personagens homens e mulheres que fizeram a história que a escola não conta, que não está nos livros e vimos crianças e jovens dançando pela paz.


E foi então a vez das Cirandas entrarem em cena e falar de movimentos que possibilitaram que ela chegasse e foi com a fala da arte, da música da ceno-poesia que Ray Lima e Vera Dantas começaram a conversa e todos se juntaram pra contar a história:



Levanta, que o solão já vai raiar
Ele vem pra rachar a terra
E nós vem para acarinhar...


A fome que originou o escambo também vai sendo cantada:


Franzinos meninos
Trouxas na cabeça
Bucho nas costelas
Panelas sem feijão.


Depois foi a vez do cirandeiro Márcio tomar conta da condução da história e foi assim:


A nossa história alguém tem que contar A estrada é muito longa Não sabemos onde vai dar Há dois caminhos um estreito e outro largo Já dizia o bom Raul Aonde é que eu me encaixo... Em cena mais de 100 pessoas, em sua maioria jovens, cantam e dançam a vida.


As rodas dividem-se e vão compor as vivências de dança, onde o Vidança trabalha o côco como dança dramática; a capoeira angola, onde o mestre Armando resgata uma parte da história que muitos não sabíamos e traz à cena a ancestralidade:


E o poeta Ray Lima vai ceno-poetizando:


Cadê o meu amor, ficou nos ancestrais...


E o mestre Armando vai ritualizando a conversa e a partir da vivência nos permitindo ver como a capoeira nasceu como estratégia de vencer a opressão.


Na vivência de música, as notas musicais sob a condução de Carlos Careca e dos cirandeiros Johnson e Márcio, vão afinando esse coral que diz a que vêm os jovens artistas do lado da cidade, que não é visível para a mídia, a não ser para estigmatizá-lo como lugar de produção de violência e eles cantam assim:

Meu divino São José
Aqui estou em vossos pés
De nós tenha dó

Poluição,
Mangue , rio Siqueira e Cocó.
E a ladainha vai se transformado em rap:

Siqueira, Pirambu, Vila Velha e Palmeiras
Terras de valor
Onde a arte é de primeira!


Parada para o almoço: tinha mais gente do que planejamos. A comida foi pouca, mas nada que a solidariedade não resolva. É hora de preparar o cortejo, socializar as oficinas e definir aonde vai aportar o Escambo: Conjunto Palmeira. È para lá que vamos, mas agora é hora de ocupar o Pirambú , de partilhar.


Porque escambo é troca, é partilha, é aprendizado , é cuidado coletivo, é muita emoção e resistência... Alô Pirambú!!!!! O cortejo ganha as ruas, e é lindo ver as pessoas saírem as crianças engrossarem o cortejo, brincarem com o nosso palhaço terapeuta Honorato, que vai entrando nas casas, nos bares. A capoeira angola ritualiza, a gente se irmana com os artistas e isso é saúde, é humanização.


Gira essa roda ciranda

Agita essa roda cirandá

Gira sem medo Cirandas

Cirandas da Vida estão sempre a girar

Vida que é vida não pode parar.


A noite vai caindo sobre Fortaleza e nós cirandeiros e cirandeiras da vida vamos pra casa, cansados e felizes. A rede de arte cultura e saúde já é uma realidade e é a partir dela que vamos buscar com a juventude os atos-limite para promover a vida. Como disse o nosso querido Eduardo Stotz, somos que vamos.

Escrito por Vera Dantas.